Perfil epidemiológico dos transtornos mentais relacionados ao trabalho na Paraíba de 2015-2023

Autores

  • Gustavo Silva de Araújo
  • Cleidilaine Ramos de Oliveira
  • Rayssa Gomes Santos Palmeira
  • Ingridy Sula Pereira da Silva
  • Iasmim Alexandre Maia de Azevedo
  • Luiz Felipe Nogueira de Figueiredo Lobo
  • Milena Maria Vieira
  • Camilla Vanessa Araújo Soares
  • André Luiz Pinto Fabricio Ribeiro

Palavras-chave:

Transtornos mentais, Trabalho, Paraíba.

Resumo

Desde os anos 90, o aumento das queixas psiquiátricas ligadas ao trabalho no Brasil, inclusive na Paraíba-PB, evidencia a relação entre trabalho e adoecimento. Foram coletados dados sobre transtornos mentais relacionados ao trabalho na Paraíba. Este estudo tem como objetivo fornecer uma análise epidemiológica abrangente dos transtornos mentais relacionados ao trabalho na Paraíba, buscando identificar tendências e fatores de risco. Utilizando dados do Departamento de Informática do SUS-DATASUS (2015-2023), foi adotado um estudo ecológico para avaliar aspectos como faixa etária, raça, sexo, ocupação, diagnóstico, evolução, emissão de Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT) e afastamento por desgaste. A análise revela tendências significativas: a faixa etária mais afetada é 40-60 anos (50,24%), com aumento entre trabalhadores de 20-39 anos (175,86%). Predomínio de casos em pardos (51,86%), com aumento de 1016,67%. Maior prevalência em mulheres (77,87%), com 2,26 vezes mais afastamentos (69,37%). Transtornos neuróticos e de humor foram os mais comuns (87%), com evolução para incapacidade temporária em 84% dos casos. Houve aumento na emissão de CAT (215,38%), mas 54,44% não foram notificados. Professores do ensino fundamental foram os mais afetados (27,97%). O aumento nas notificações entre indivíduos pardos pode estar associado ao crescente reconhecimento e aceitação da autodeclaração racial. A predominância feminina reitera a sobrecarga social de gênero, refletindo-se em esgotamento físico e mental. Além disso, a prevalência dos transtornos de humor em trabalhadores com múltiplas atribuições e baixa remuneração sugere uma possível relação com a exposição contínua a estressores específicos. Destaca-se a urgência de intervenções para promover a saúde mental dos trabalhadores, especialmente mulheres e pardos. A falta de acompanhamento psicológico pode levar a incapacidades temporárias ou permanentes. Ações multiprofissionais são essenciais para preservar a saúde mental e melhorar a qualidade de vida no ambiente de trabalho na Paraíba.

DOI: 10.56238/sevenVmulti2024-135

Publicado

2024-03-27