Resumo
Este artigo explora como o racismo e os discursos e práticas estigmatizantes são articulados e normalizados em países colonizadores e colonizados. A pesquisa compara os casos da Suécia, Brasil e México a partir de uma combinação de estruturas - a Teoria Crítica da Raça (Walton, 2019; Ansley, 1997), o conceito neomarxista de racismo institucional e racialização (Cole, 2016 e 2020) e uma estrutura e metodologia decoloniais (Fanon, 1968; Tynan e Bishop, 2022). O racismo tem sido estrutural e sistêmico nas sociedades latino-americanas desde a colonização, quando as autoridades religiosas e reais legitimaram a escravidão indígena e africana nas colônias. Após a independência, as repúblicas livres modernas converteram a legitimação religiosa do racismo em eugenia pseudocientífica e a invenção de raças humanas e o racismo continua oprimindo os descendentes indígenas e africanos. Atualmente, o racismo estrutural continua a ser o comportamento normal nas sociedades ocidentais, não uma exceção. O objetivo desta pesquisa é identificar e comparar o racismo revelado em comportamentos e os discursos por trás deles em duas sociedades colonizadas – Brasil e México – e na Suécia, uma sociedade colonizadora. A questão que orienta a pesquisa comparativa é como e de que maneira o racismo e os discursos e práticas estigmatizantes são articulados e normalizados nos países colonizados e colonizados. Compreender as principais tendências persistentes nessas sociedades sobre características somáticas eugênicas, como tipo de cabelo, tamanhos de partes do corpo (por exemplo, cabeça), bem como outros símbolos sociais e religiosos coletivos, comportamentos, atitudes e costumes culturais, usados como marcadores discriminatórios. A metodologia qualitativa inclui 69 entrevistas e seis grupos focais nos três países. Os resultados foram analisados a partir de uma reflexividade crítica sobre como o colonialismo e a eugenia impactam as experiências e realidades vividas de ambos os grupos em países colonizados e colonizadores, por meio de práticas históricas e atuais. O racismo tem as mesmas rotas de funcionamento, estruturando relações desiguais, distorções na percepção do outro, marginalização e sofrimento.
DOI: https://doi.org/10.56238/sevened2024.037-072