Resumen
O presente artigo busca compreender como a rede de produção da reciclagem, que possibilita o fluxo dos materiais recicláveis entre as cooperativas e a indústria recicladora acontece. Ao passo que, articulados em rede, interessa compreender como se constroem as relações dos principais atores - empresas, Estado, grupos sociais, cooperativas e catadores - e como se constroem modos de trocas formais e informais, materiais e imateriais, por vezes cooperativos, outras, conflitivos. O recorte espacial da pesquisa compreende os atores da Região Metropolitana do estado do Rio de Janeiro e para as análises feitas no artigo, foi adotado o conceito de circuito espacial produtivo como perspectiva teórica. Nesse sentido, Corrêa (1997), nos elucida com o que seria uma rede geográfica, Henderson et. al. (2011) contribui para a análise do sistema de produção capitalista com o conceito de rede de produção, enquanto dialoga com Santos (2011), Milanez & Santos (2013) e Dicken (2015). Apresenta, a partir da observação direta e dos documentos analisados[1], os atores que compõem a reciclagem do estado do Rio de Janeiro e como eles estão articulados em redes sociais e produtivas compostas por diferentes atores. Diante disso, parte-se, assim, do pressuposto de que o fenômeno da catação representa a prática de sujeitos sociais, cujas trajetórias são marcadas, especificamente, pelo funcionamento excludente e explorador do trabalho no sistema capitalista de produção e de que as redes de reciclagem fazem parte de um sistema composto por diversos atores sociais, desempenhando papéis importantes. Contudo, ao mesmo tempo os catadores de material reciclável compõem o elo mais frágil da rede de produção da reciclagem ou, do ‘jogo do lixo’.
[1] Foram analisados teses, dissertações, livros e artigos científicos, que puderam contribuir, de maneira significativa, com a reflexão aqui apresentada.
DOI: https://doi.org/10.56238/sevened2025.011-012